O artigo abaixo intriga. Porque é que progresso
material, econômico, “educacional” (Visto que a Koréia do Sul é tida como
centro de excelência educacional mundial), não se traduz em relações humanas, verdadeiramente
humanas. Não penso apenas na Koréia, penso também em nós, brasileiros,
argentinos, etc, mundialmente falando. A evolução tecnológica, não se traduz em
relações sociais igualitárias e justas, ou até mesmo amáveis. Nossa educação,
não possibilita amor. Ou o amor não existe, ou a educação atual no mundo, não
gera afeto, não gera humanidade. Há um grande esforço, por parte dos pais que
desejam que seus filhos tenham a melhor educação. Vivo isto. E a melhor
educação custa caro. São desejadas escolas particulares de renome, inglês
imprescindível, etc. e etc. Assim muitas vezes neste esforço, pais trabalham
muito e por isso sempre ausentes, filhos às vezes estudam muito, às vezes não.
O fato, é que este modo de vida, nem sempre tem o resultado que se espera. Segue
o artigo...
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Mudanças sociais da Coreia do Sul levam idosos
desamparados ao suicídio
Sucesso econômico
da nação reverte tradição em que pais eram cuidados por filhos após envelhecer;
nos últimos anos, número de suicídios quase quadruplicou no país
NYT 21/02/2013
Mesmo com o aumento no número de suicídios na Coreia do Sul, o caso de
uma viúva de 78 anos mereceu atenção especial durante a recente
eleição presidencial .
Em vez de tirar sua
vida em casa, como muitos sul-coreanos fazem, a idosa resolveu encenar sua
morte como um último ato de protesto público contra uma sociedade que, disse, a
abandonou. Ela bebeu pesticida durante a noite em frente da prefeitura de Seul
depois que autoridades suspenderam sua aposentadoria com a justificativa de que
não eram mais obrigados a sustentá-la pelo fato de seu cunhado ter encontrado
trabalho.
Lee Geum-sook (D),
voluntário que trabalha com idosos, segura a mão de Yoon Jeom-do, 89, que vive
sozinha em seu apartamento em Seul (18/10/2012)
"Como vocês
puderam fazer isso comigo?", dizia o bilhete de suicídio que a polícia
disse ter encontrado em uma bolsa junto ao corpo. "A lei deve servir ao
povo, mas ela não me ajudou em nada."
Essa morte faz
parte de uma das mais cruéis estatísticas da Coreia do Sul: o número de
suicídios entre pessoas acima de 65 anos quase quadruplicou nos últimos anos,
fazendo com que o índice de tais mortes no país fique entre as mais altas do
mundo desenvolvido. A epidemia é o contraponto do grande sucesso econômico da
nação, que tem desgastado o contrato social de Confúcio que formou a base da
cultura coreana ao longo dos séculos.
Esse contrato foi
criado sobre a premissa de que os pais deveriam fazer quase qualquer coisa para
cuidar de seus filhos - nos últimos tempos, gastando suas economias para lhes
oferecer uma boa educação - e, depois, passariam o resto de suas vidas sob os
cuidados de seus herdeiros. Nenhum sistema de Previdência Social era
necessário. Asilos eram praticamente inexistentes.
Mas desde que, nas
últimas décadas, as gerações mais jovens da Coreia do Sul se uniram ao êxodo
das fazendas para as cidades ou simplesmente acabaram trabalhando duro no
ambiente hipercompetitivo que ajudou a impulsionar o milagre econômico da
nação, os pais muitas vezes foram deixados para trás. Muitos idosos vivem agora
seus últimos anos em condições miseráveis.
Tais mudanças
sociais não são incomuns no mundo industrializado. Mas a transformação
repentina se provou especialmente dolorosa na Coreia do Sul, onde os pais
enxergavam seus sacrifícios como o equivalente a um plano de aposentadoria e
onde aqueles que sofrem são vítimas das mudanças que eles mesmos ajudaram a
desencadear à medida que reconstruíram a economia após a devastação da Guerra
da Coreia (1950-1953).
O governo começou a
construir um sistema público de aposentadorias em 1988, mas relatos indicam
que, na maioria dos casos, os valores mal cobrem os custos de vida básicos, e
muitos dos sul-coreanos mais idosos não têm cobertura pois o sistema não é
retroativo. Um relatório do governo em 2011 indicou que apenas quatro em cada
dez dos com mais de 65 anos tinham uma pensão pública ou privada.
À medida que as
oportunidades para enriquecer melhoraram nos últimos anos, os pais começaram a
ir a extremos para tentar garantir o sucesso de seus filhos, e, por extensão,
de sua família.
Muitos pais também
esvaziaram suas poupanças para ajudar a pagar as casas de seus filhos. O maior
jornal do país, o Chosun Ilbo, criticou em um editorial o "costume
ridículo pelo qual pais vendem seu futuro para sustentar seus filhos".
O governo disse que
tenta ajudar propondo uma idade maior para que as pessoas se aposentem para que
possam economizar mais dinheiro, mas isso é uma tarefa difícil diante do
desemprego juvenil. Ele também iniciou a obrigatoriedade de que os municípios
criem centros de prevenção do suicídio para todas as idades, e os escritórios
têm registrado algum sucesso.
Lee Geum-sook (D),
voluntário que trabalha com idosos, tenta confortar Yoon Jeom-do, 89, que vive
sozinha em seu apartamento em Seul (18/10/2012)
Kim Man-jeom, 73,
foi um deles. Depois que seu marido morreu em 2011, ela ficou chocada por seus
filhos não a terem convidado para viver com eles, apesar de também temer se
tornar um fardo. "Uma vez vi uma gravata e ponderei a possibilidade de me
enforcar", disse. Ela foi salva, relatou, por um trabalhador social.
Mas como um sinal
de que o problema não tem sido tratado de forma sistemática, um número pequeno
mas crescente de sul-coreanos idosos está morrendo sem ninguém para reivindicar
os corpos ou realizar os rituais funerários tradicionais.
Kim Seok-jung, que
abriu uma empresa na cidade de Pusan para cuidar dos pertences desses idosos,
disse que ainda lembra do caso de uma mulher de 73 anos cujo corpo foi
encontrado em fevereiro, meses após sua morte.
"O calendário
na sua parede havia parado em outubro", disse Kim. "Quando vejo esse
tipo de coisa acontecer com esses idosos, sei como minha própria geração
morrerá."
Por Choe Sang Hun
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